Horst Fantazzini

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Grito Punk (Brazil)
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Site em memória do anarquista Horst Fantazzini

Confira em www.horstfantazzini.net o novíssimo site dedicado inteiramente à memória do rebelde e sensível anarquista Horst Fantazzini. Na página você poderá encontrar a biografia, bibliografia, entrevistas, resenhas de imprensa, poesias de Horst, fotos, uma sessão dedicada ao livro e filme sobre ele, e mais de 150 obras da bonita mostra internacional de arte postal “Bandito in bicicleta – Bandit by bicicle”.

> Um pouco de história <

Horst Fantazzini morreu nas mãos do Estado no natal de 2001, aos 62 anos, numa prisão de Bolonha [Itália]. Tinha o apelido de “ladrão gentil”, “o ladrão solitário”, pois atuava normalmente só, chegava a usar armas de brinquedo nas suas ações, e muitas vezes fugia de bicicleta. Era um amante da bicicleta, chegou a disputar competições regionais na Itália. Sua intença vida começou na juventude, com as primeiras rapinagens, bancos eram seu alvo. Passou mais de 30 anos entrando e saindo das prisões italianas.

Horst nasceu na Alemanha em 1939, tinha pai italiano e mãe alemã. Era filho de um herói da Resistência italiana e da Guerra Civil espanhola, Alfonso Fantazzini, que mudou de nome quando se filiou ao movimento anarquista durante o período fascista, passando a se chamar Líbero (Livre).

> Quarta, 19 de dezembro de 2001 <

Dois homens foram presos na região do Banco de Bolonha e foram acusados de terem planejado um roubo. Eles foram presos enquanto pedalavam duas bicicletas e alegaram que eles tinham cola latex, facas e passamontanhas. Os nomes deles são Carlo Tesseri e Horst Fantazzini.
Algumas horas depois, os policiais fizeram uma busca na casa deles e confiscaram livros, revistas, panfletos, adesivos, computador, agenda, correspondências e dinheiro.
Depois de 32 anos de prisão, Horst estava há alguns meses em liberdade condicional (até 2019) e Carlo foi libertado em julho, depois de 7 anos de prisão. No mesmo dia o promotor público de Bologna confirmou a prisão deles.

> Segunda, 24 de Dezembro de 2001 <

Horst foi encontrado morto na prisão de Dozza. A explicação oficial é que ele foi encontrado morto devido à um ataque cardíaco enquanto estava no banho. O seu filho notou que ele tinha vários hematomas no corpo. A única coisa que nós temos certeza é que isto é outro assassinato do Estado que derrubou um anarquista que tinha a intenção de viver livre, para lutar contra qualquer forma de autoridade e contra as prisões nas quais ele passou metade de sua vida. A morte de Horst na prisão foi planejada há muito tempo. A sua sentença era para terminar em 2019. Ele já tinha sido ferido gravemente na prisão por guardas quando ele tentou escapar antes. No dia 24 de Dezembro o nosso companheiro morreu nas mãos deles, preso na cela do Estado. Nós consideramos o maior responsável por esta morte os promotores públicos de Bologna Orso e Pescatore, mas também o diretor da prisão Dozza e todos que trabalham dentro daquelas paredes.

> Declaração do dia 27 de dezembro de 2001 <

A todo momento um ser humano morre atrás das grades, o Estado comete assassinato, porque a prisão mata, e todos aqueles que, de uma maneira ou outra, apoia esta instituição de dor e morte são assassinos. A prisão mata, hora após hora, mês após mês, ano após ano. Horst, passou 32 anos na prisão, e isso foi literalmente igual a um matadouro.
Esta é a única certeza que nós temos e esta é a única verdade que os médicos poderiam escrever nos seus relatórios: morto pela prisão, assassinato do Estado!
Nós pensamos com amor e raiva sobre o nosso companheiro e amigo Horst Fantazzini, e nós juramos que a sua vida cheia de revoltas não foi vivida em vão.

> Texto lido por Pralina no funeral de Horst, no dia 29 de dezembro de 2001 <

Umas poucas palavras pela vida extraordinária de um homem que nunca recusou, nem calculou, nem teve medo frente aos esbirros, nem sequer quando lhe dispararam para assassiná-lo, e por não terem conseguido tentaram enterrá-lo na cadeia, para separá-lo de seus afetos e de sua vida, usando milhares de recursos e de métodos coercitivos, sutis extorsões afetivas... Horst nunca se dobrou ao poder, por outro lado, mostrou seu lado terno, esse de menino indefeso que gritava "O REI ESTÁ NU", e por essa razão que eu o amei intensamente e todos nós o queríamos intensamente. Ainda conhecendo sua vida e sua história, e nem sempre estando de acordo com suas escolhas. Nos últimos tempos, Horst tinha desejos incríveis de levar uma vida “normal", a vida “normal” não é essa vida maçante vazia de tensões existenciais, mas uma vida que fosse justa, inclusive com o menino que ele mesmo era, o artista que era - que saído após passar 40 anos na cadeia – justo comigo também que passei por todas as condições de desagregação da família e da cadeia, que supera em muito à instituição carcerária.

Estes últimos 5 anos para nós foram difíceis sem nenhuma dúvida, mas bonito, cheio de tensões. A relação com Horst era de absoluta sinceridade, como dizia ele "você é a pessoa mais pura que eu conheci e eu te quero como um pai, porque para mim você é como uma menina". Na relação com Horst havia muita sensualidade, erotismo, jogo, loucura, projetos a realizar, amizade; tínhamos uma charmosa casa imersa no verde e há pouco conseguimos um cão, mas nenhum luxo, tampouco vivíamos na abundância. A bonita casa que Líbero construiu para ele, e que ele chamava "nosso ninho" tinha constantes e problemas urgentes que necessitavam ser resolvidos, e isto o sabia muito bem só quem a freqüentava, os poucos que davam uma mão para a fazer habitável. A falta de dinheiro, os trabalhos eram feitos lentamente e certas vezes "reciclávamos" os móveis que removíamos do lixo, mas éramos felizes. Apesar dos milhares de problemas, alguns luxos nos dávamos sem pedir nada a ninguém. Às vezes nada mais e nada menos do que um almoço ou um lanche, Horst estava cansado de comer a bazofia asquerosa da cadeia.

Fomos dignos em tudo, desejávamos um bem imenso, verdadeiro, que não se pode quantificar. Talvez o momento mais difícil por o qual passávamos era quando Horst saia da cadeia às 6 horas da manhã para ir trabalhar na obscuridade e com o frio; trabalhava em um depósito, com a campeira posta para resguarda-se do frio, tinha problemas de saúde bastante sérios que não tinha contado a ninguém (porque quando um preso em estado de liberdade vigiada está doente volta a cadeia), vinha para casa algumas horas, e retornava rigorosamente às 10 horas da noite, e não interessava como estava o clima, só dormia duas ou três horas durante a noite porque nos setores dos prisioneiros em liberdade vigiada há muitos problemas. Estava muito cansado, dolorido, delgado e, em especial, dormia muito pouco.

Não obstante, inclusive nessas circunstâncias (desconhecidas pela maioria dos companheiros) fazia um pouco do seu espaço para nós. As coisas diárias simples: para preparar-lhe um café, um prato de macarronada com molho caseiro, adquiria o significado de um verdadeiro repouso, de família verdadeira.

Disse-lhe: agora que lutamos tanto para que você tenha semiliberdade e que estamos esperando o perdão, se você cometer alguma outra estupidez, não só jogaria à merda às poucas pessoas que confiou em você, mas que arruinarás tudo.

Mas evidentemente a tensão pela liberdade era muito forte nele, e um dia sem haver-me dito, enfrentou-me o fato consumado. A chamada de telefone de seu advogado foi um golpe muito duro quando retornava à casa, no trem com um dinheiro no bolso. Acabava de vender dois retratos, estava feliz porque ele me incentivava a que desenhasse, também porque tínhamos esperanças concretas para ambos atrás daquelas ordens...

Eu não o julgo, ao seu gesto frágil e no fundo ridículo, mas deste sistema de merda que não soube lhe oferecer outra coisa que um trabalho pesado em um depósito com a sua idade, 62 anos, e com muitos anos de cadeia adiante.

A dor de que eu sinto a um fim tão injusto, absurdo, e tão "normal", dado que na cadeia assim se vão os pobres homens desgraçados... não podem imaginá-lo ao menos!

Restam pequenas e grandes humilhações, nunca perdoadas nem esquecidas, que algum dia publicarei.

Horst, meu doce e gracioso Horst, se foi para sempre, não retornará mais a nenhuma cadeia. Levarei-te sempre em meu coração e sempre honrarei sua memória, sua coragem, o que você escreveu, o que me dizia, seu desejo de que eu fosse uma grande artista. Ao lado da memória da mamãe Berta, de Maria, de Líbero, com amor... Obrigado à todos vocês que estiveram próximos...

Liberdade à todos, viva a Anarquia!
Tchau, ratãozinho!
Sua Pralina Fantazzini

Clique abaixo:
http://www.horstfantazzini.net

Publicada em: 09/01/2006
Por: ANA - Agência de Notícias Anarquistas